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Amor eterno...

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Era uma tarde linda de sol... O sol estava mesmo no 'ponto'.
Por perto, havia uma ria, que passava apenas água fresca, entre várias árvores, um pouco escondida. Um largo banco de madeira, um pouco apodrecido, tentava dar um bom aspecto à Natureza.
Uma criança, de apenas oito anos, brincava de uma forma querida e linda, com aquela água que corria sem fim. Era pequenina, e magrinha. Tinha o cabelo loiro, e os seus olhos azuis, reluziam perante aquela água límpida do rio.
Pouco tempo depois, apareceu mais uma criança... Era um rapaz, ar de cigano, cabeço castanho crespo, e olhos verdes... Ambos olharam um para o outro, e riram-se, com aquele riso de criança, que toda a gente adora escutar.
Brincaram, sem se quererem conhecer... Acharam paus, e construíram um pequeno castelo. Decoraram com flores de troncos de árvores, que chegavam até ao chão. ele, com uma enorme inteligência, enquanto ela subia perante aquele frágil tronco, para ir buscar uma última flor vermelha, para colocar no cimo do castelo feito em paus, ele colocou-se por debaixo, como protecção para ela, caso ela caísse.
- Tenho medo... Segura-me bem. - Disse ela, com uma voz suave e tremida.
- Estou aqui, não te preocupes. Se caíres, estou aqui em baixo. Traz aquela ali no cimo, perto daquela flor rosa.
De repente, ao pôr um último pé, a um passo de apanhar a flor vermelha, caiu... Ele, como estava por debaixo, segurou-a como se fosse ouro, e sussurou-lhe:
- Eu disse que ia estar aqui em baixo. Mesmo sem nos conhecermos, confiaste em mim, continuando a subir. É bom saber, que há meninas que não nos julgam pela aparência, pelo nome, pela etnia, pelo vestuário, pela fala, ou por outra coisa qualquer... És muito fofinha.
Ergueram-se do chão, olharam um para o outro, e deram um abraço... Foi um abraço forte, via-se pela cara da menina, que mesmo sem querer, derramou uma pequena lágrima de felicidade.
Separaram-se, olharam um para o outro, e... mesmo sendo crianças... deram um beijinho na boca, encostando somente os lábios. Após isso, riram-se de uma forma alegre, e rebolaram por um grande vale de relva verde.
(Passaram anos, belos longos anos)
- Lembraste de quando éramos crianças, que tu salvaste-me, Nuno? - Disse ela, com uma lágrima ao olho.
- Claro que me lembro... Éramos tão pequeninos, mas ao mesmo tempo, tão grandes. Não me arrependo de nada, Rita.
Deram um valente abraço, que lhes valeu pela vida.
(Passaram dez anos...)
- Como pode acontecer, Nuno?! Como pudeste partir?! Não! Não pode ser... Volta! Volta para mim... Isto não pode estar a acontecer, por favor...
Nuno, tinha falecido num acidente de viação. Foi 'comido' por um camião, que não tomou atenção, e mudou de via.
Passado meses da morte do seu namorado, Rita, ia a subir um tronco, frágil, e caiu... Não se aleijou. E porquê?
- Tu estás aqui, Nuno! Salvaste-me, mais uma vez... Amo-te eternamente, Nuno... - Disse ela, a chorar.
Sentou-se no chão, e ficou a pensar nele por vários minutos...

Mais uma vez, volto a escrever, para não julgares ninguém, quer seja por roupa, etnia, modo de ser, etc. 
Cada um é como é, e nós amamos assim.