Archive for Fevereiro 2011

Nunca julgues as pessoas...

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Carolina, tinha 16 anos e era uma rapariga que tinha muitos amigos na escola, achava-se uma pop-star, era uma aluna satisfatória, e estava sempre a achar-se superior perante os outros. O seu dia-a-dia, era levantar-se de manhã cedo para arranjar tempo para se pentear, maquilhar, e acima de tudo, vestir-se bem, tomar o seu pequeno almoço, e ir para a escola. 
Na escola, era conhecida como a menina rica da Secundária. Ela amava achar-se superior aos outros, e dizia que já tinha tido muitas relações, quando era tudo mentira.

Houve uma noite, em que Carolina estava a sair de casa, mal acaba de bater a porta, é puxada para dentro de um carro e levada para uma garagem onde ela desconhecia o lugar à sua volta. O que aconteceu? Carolina foi violada.
Passaram dias após essa noite, e na secundária criavam-se coxixos acerca da sua ausência, ausência da famosa Carolina.

Durante esses dias, semanas, Carolina encostou-se a um canto do seu quarto, e chorou... chorou.. e chorou. Pensou em tudo o que tinha feito de mal, a todos os seus colegas desde a primária até agora. Culpou-se de tudo e mais alguma coisa. Chegou o dia de ela dirigir-se junto de um médico, ela sentia voltas na barriga e vómitos. Sim, ela estava grávida. Foi a queda total... Carolina pensou em matar-se, mas não o fez, pensando no ser que ia nascer dentro dela.

Passaram-se meses, longos meses... Carolina já tinha ido à escola, andava sempre com a sua maquilhagem borratada, e já não se interessava por ser-se superior ou não.. Sentia-se como uma coitadinha. A barriga, a cada dia aumentava mais, era a criação do ser. Já tinha ultrapassado a fase de chorar, e agora, orgulhava-se da criança. Foi-lhe detectado um problema, a criança não tinha forças suficientes para ser posta ao mundo, tinha problemas de coração. Era rapaz, sim, escolheu-lhe o nome de Afonso.

Plena manhã de sábado, Carolina sente água a escorrer-lhe pelas pernas abaixo. A criança estava prestes a sair. Foi levada de urgência devido ao estado de problemas que o Afonso tinha.
Entrou na sala de partos. O barulho das máquinas atrapalhava-a e ela não se conseguia acalmar, via mais de dez pessoas entre médicos e enfermeiros. A criança nasceu, diagnosticaram-lhe problemas nos rins e no coração, precisava de um doador, sendo criança ou adulto, necessitava. Carolina, sem pensar uma única vez na sua vida, para trás ou como seria em diante, quis doar do corpo dela, tudo o que ele necessitava para puder viver bem e com saúde.

Carolina morreu numa fria tarde de sábado, onde o vento agitava fortemente, e as folhas das árvores voavam por entre as ruas. Afonso ficou com os avós, que souberam das coisas mais tarde, devido à sua permanência num país estrangeiro longe de Carolina. Carolina, não contou nada a ninguém e guardou tudo para si.

Passou-se uma década, passaram-se duas.. Afonso, com 23 anos, foi habituado a ritual que decidiu sozinho... Visitar a sua falecida mãe, todos os dias. Passaram-se mais uns longos meses. Afonso, de manhã cedo, levantou-se e dirigiu-se ao cemitério. Conversou com a sua falecida mãe, e disse-lhe: "Mãe, não sei se hei-de viver por mim... Se hei-de viver por ti. Desculpa-me de algum erro. Amo-te eternamente!".
Mal Afonso, saiu daquele estranho e misterioso cemitério, foi atropelado... Levaram-no para o hospital, e o resultado das máquinas foi: Pi, Pi, Pi, Pi, Pi, Piiiiiiii. Afonso morreu.

Nunca julgues as pessoas por fora. Carolina, mesmo achando-se superior a todos os outros, doou os seus órgãos ao seu filho, mesmo este não tendo um final feliz.



"Tarde demais..."

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Sílvia, era uma rapariga pobre, com apenas dezassete anos. Psicologicamente, era caracterizada como uma jovem calma, serena e acima de tudo, sincera. A jovem, a cada manhã que o sol dominava na sua janela, ela levantava-se a correr, tomava um banho, arranjava-se e ia tomar o seu pequeno almoço. Quando chegava à escola, o sorriso dela espalhava-se por toda a sua cara, e toda a gente notava na felicidade que ela tinha. Muitos amigos, olhavam-na de lado, ou simplesmente, iam contra ela, até ela chorar e fechar-se numa casa de banho. Ela gostava de um rapaz, daí a sua ansiedade para chegar à escola. Duarte, era o nome dele, e era da mesma turma da Sílvia. Ele era um rapaz da idade da Sílvia, e tinha muitos luxos. A sua chegada à escola, era naqueles carros todos descapotáveis, e a sua roupa era toda, toda de marca.
A Sílvia, deitava-se muitas vezes na sua cama, a pensar se algum dia ia poder ter alguma relação com ele, pois ele era riquíssimo, e ela era pobre.. Ela vivia numa habitação, chamemos-lhe de "casa", que estava sobre alicerces que estavam prestes a destruir-se, devido à sua antiguidade.
Um dia, a turma deles tiveram um teste, e a Sílvia calhou ao lado do Duarte, segundo as escolhas da professora. Ela não tinha cabeça para fazer o teste, apenas olhava para ele, e só para ele. Passado alguns longos minutos, ele acaba o teste. Ela, pega na sua calculadora, e escreve-lhe: "Amo-te". Ele, ao ver aquilo, riu-se e virou-se para o outro lado da sala. A rapariga começou a chorar, entregou o teste e dirigiu-se para casa, entre atalhos das várias ruas.
Passaram meses, e nada, não aconteceu rigorosamente, nada.
A família da Sílvia queria sair daquele lugar, e transferir a escolaridade dela para outro sítio, ir para longe. "Não quero!"; "Não vou sair daqui..." era o que ela dizia à sua mãe. 
Duarte, dava-se bem com toda a gente, independentemente do seu poder financeiro/económico. Chegou a falar com ela, por vezes. 
Sílvia ligou-lhe, contando a história de partir, e ele disse: "Quero lá saber... Olha, vou dormir mas é, xau!". As suas palavras pareciam trémulas, mas acabou por desligar.
Passaram-se mais meses, e o momento de partir chegou.. 
Ela saiu da escola, foi transferida. Deixou-lhe um post it dentro do cacifo, que dizia: "Parti. Sempre te disse que te amava, e as tuas respostas ou eram xau, ou rias-te de mim. Fui para longe, vou tentar esquecer-te...". Duarte, no dia seguinte, foi ao cacifo colocar alguns dos livros que lhe pesavam na pasta, leu e, uma lágrima escorreu-lhe pela cara...
Ela estava a mais de quatrocentos quilómetros da sua cidade antiga, a cidade da sua antiga escola. 
Sílvia não deu mais notícias dela a Duarte, e ele ficara a pensar se ela ainda o amava, se tinha sido por causa dele, que ela se tinha ido embora. 
Sílvia tinha-se matado, por causa de amores sem correspondência.
Duarte decidiu procurar Sílvia, correu várias cidades em busca dela, porque ele, lá no fundo sentia algo por ela, mesmo com aqueles risos de gozo.
Informou-se em vários cafés, lojas, bancos. Pois bem, foi numa dessas lindas cidades, que Duarte, enquanto passava por uma rua, viu um papel afixado: "Descansa em Paz... Sílvia Raquel da Costa Ferreira" juntamente com uma fotografia dela.
Duarte não teve reacção, dirigiu-se para casa e culpou-se de tudo, tudo e tudo. Chorou, não apareceu à escola e não quis saber de mais nada... 
Lá em cima, pronunciou ela serenamente, juntamente com uma lágrima: "Tarde demais..."

sem título...

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Cheguei, sentei-me naquele banco de madeira que já está lá à vários anos, e pus-me a olhar aquele rio que corre suavemente. Reparei nas folhas a sussurrar com o vento, era um som encantador e fresco. Ouvia o piar dos pássaros, que saltavam de lado para lado com aquelas asas suaves. A lama cedia a margem do rio, era mesmo tranquilo, era sereno.
Olhei para cada lado, não via nada, estava rodeado com árvores que me tirava a ansiedade de te poder ver com os meus próprios olhos.
Senti uma mão a tocar no meu ombro, ela era suave e macia.
- Olá João - Pronunciou ela com um ar de vergonha e com a voz meiga.
- Olá.. - Disse eu, cheio de vergonha.
A tarde passou, os pássaros foram cantando cada vez mais, e o rio foi-se agitando cada vez mais, e a correr rapidamente. Depois de tantas gargalhas, depois de tantos momentos silenciosos entre nós, o sol pôs-se. Ao longe, aquele sol brilhava bastante, era como se fosse nosso, metade meu, metade teu. Já no fim do dia, a lua estava lá no alto, lá no cimo e brilhava bastante..
Olhamos os dois para a lua, os teus lábios e os teus olhos cada vez mais me fascinavam, eles queriam dizer alguma coisa, mas lá no fundo, estavam presos por um fio.
Chegou o momento de partirmos, infelizmente a tua cara tornou-se triste. Não foram simples momentos a teu lado, nem foram simples gargalhadas, foi o inicio de um grande amor.
- Foi o dia mais maravilhoso da minha vida, João. E se eu te disser que te amo?
Não consegui responder, a única coisa que consegui foi juntar os meus lábios com os teus, debaixo daquela linda lua inesquecível.

No final, só consigo dizer uma coisa... Amo-te!